'Tristezas de um Quarto Minguante' - Augusto dos Anjos
"Quarto Minguante! E, embora a lua o aclare, Este Engenho de Pau d'Arco é muito triste. Nos engenhos da várzea não existe Talvez um outro que se lhe equipare! Do observatório em que eu estou situado A lua magra, quando a noite cresce, Vista, através do vidro azul, parece Um paralelepípedo quebrado! O sono esmaga o encéfalo do povo. Tenho 300 quilos no epigastro. Dói-me a cabeça. Agora a cara do astro Lembra a metade de uma casca de ovo. Diabo! Não ser mais tempo de milagre! Para que esta opressão desapareça Vou amarrar um pano na cabeça, Molhar a minha fronte com vinagre. Aumentam-se-me então os grandes medos. O hemisfério lunar se ergue e se abaixa Num desenvolvimento de borracha, Variando à ação mecânica dos dedos! Vai-me crescendo a aberração do sonho. Morde-me os nervos o desejo doudo De dissolver-me, de enterrar-me todo Naquele semicírculo medonh...