Acho que nunca escrevi uma crônica... (21/09/2017)
Debruçado
sobre meu laptop (hoje mais lento do que nunca!), e tentando não escutar o
barulho da construção aqui ao lado... resolvi refletir um pouco sobre as últimas
semanas... E que semanas!
Talvez esta seja a minha primeira crônica; não levo em
conta as brincadeiras que fazia na faculdade sobre as massas revoltosas ou o
Partido dos Feios, Sujos e Malvados (heeh)... divertia-me com aqueles textos,
mas infelizmente não os guardei.
Sem fugir aos clichês, aí vou eu...!
Não posso dar muitos detalhes... não seria justo...
Ainda não entendi a razão, mas alguém lá em cima resolveu
brincar comigo; não bastava tudo que passei e tenho passado nesses últimos quase
cinco anos: perda, mudanças, mentiras, falsidades... Num momento em que minha
vida praticamente se desfez; quando todos os meus sonhos se perderam no tempo e
espaço dessa minha existência vazia, inútil (quantas vezes já não pensei em
abandonar tudo... em fugir... em morrer...); num momento em que percebi que não
posso mais confiar em ninguém; num momento de total descrença da vida, da
humanidade, eis que me apareceu essa pessoa... Não importa como, quem ou
quando, e sim as consequências desse encontro.
Conheci, então, a garota mais maravilhosa do mundo!
Perfeita: linda, inteligente, atraente... um verdadeiro sonho... aquele sonho
do qual jamais queremos acordar... aquela pessoa que você quer ter ao seu lado
a vida inteira... e depois também!... (não falei dos clichês!).
Bem me avisaram: “não faça isso, é só um jogo, não se
envolva!" Mas como não me envolver, como resistir a tal encanto, carinhos,
beijos... algo que nunca tive. – coloquei outra vez o disco do Sinatra: ‘A man
alone’, meu companheiro de escrita...
Atraído pelo canto da sereia, julguei ser real o que
nunca poderia ser real.
Eram tantas coisas em comum... outras nem tanto... tantos
sonhos e promessas... momentos fugazes que me fizeram esquecer a dura
realidade, essa vida insignificante a qual estou preso. Hipnotizado, pensei
estar livre; pensei ter encontrado, enfim, aquela por quem sempre esperei... Posso
até dizer que ela é uma versão melhorada de mim... no que temos em comum... e
totalmente o oposto, no que diz respeito aos meus defeitos... o que na minha mente
insana seria uma combinação perfeita; seria a combinação! Seria o grande
encontro do Poeta... a união final e divina de dois seres que se completariam e
se ajudariam mutuamente... dançando e se amando eternamente, ao som das mais
belas melodias, e, de preferência, bem longe desse cotidiano morno, e por vezes cruel...
juntos não deixaríamos a vida nos devorar... Rá... – quem me embala agora é o
sax de Stan Getz...
Doce ilusão... deu-me até vontade de ser uma pessoa
melhor... sair da caverna... atravessar a janela... e encarar a vida de
frente... ela era exatamente o que eu buscava, o que me faltava... falta.
Como esperado, meu amigo estava certo. Acabou... a
realidade bateu. Serviu como aprendizado, reafirmou tudo o que eu já sabia
sobre mim mesmo. As pessoas mudam? Creio que não; para o bem ou para o mal,
somos o que somos do início ao fim. Aprendemos alguma coisa ao longo do
caminho, desaprendemos outras, acrescentamos, entendemos, mas a essência é
sempre a mesma... Destino ou Acaso...? fico com o destino... não adianta
insistir no que já está dado... basta esperar... e agradecer os bons
momentos... e torcer por outros tão bons quanto...
Não fossem as noites mal dormidas e as más refeições,
esse texto poderia ter ficado melhor... sei lá... talvez o próximo fique.
Ei, nunca vou esquecê-la!