'Aurora morta, foge! Eu busco a virgem loura' - Augusto dos Anjos

"Aurora morta, foge! Eu busco a virgem loura 
Que fugiu-me do peito ao teu clarão de morte 
E Ela era a minha estrela, o meu único Norte, 
O grande Sol de afeto - o Sol que as almas doura! 

Fugiu... e em si levou a Luz consoladora 
Do amor - esse clarão eterno d'alma forte 
Astro da minha Paz, Sírius da minha Sorte 
E da Noite da vida a Vênus redentora. 

Agora, oh! minha Mágoa, agita as tuas asas, 
Vem! Rasga deste peito as nebulosas gazas 
E, num pálido auroral de Luz deslumbradora, 

Ascende à Claridade. Adeus oh! Dia escuro, 
Dia do meu Passado! Irrompe, meu Futuro; 
Aurora morta, foge - eu busco a virgem loura!"

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