O Homem possui uma existência que precede sua essência: Nós não nascemos Homens, nos tornamos Homens, a partir de nossas ações, ao longo de nossas vidas. “Não existe uma natureza humana dada e imutável, não há determinismos, o homem é livre, o homem é liberdade.” “O Homem está condenado a ser livre: condenado, porque não se criou a si próprio; e (...) livre porque, uma vez lançado ao mundo, é responsável por tudo quanto fizer.” O Homem é o que ele faz, o que ele fez de si mesmo e nada mais: “...o gênio de Racine é a série das suas tragédias, e fora disso não há nada; por que atribuir a Racine a possibilidade de escrever uma nova tragédia, já que precisamente ele a não escreveu?” “...O Homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo, e só depois se define.” De início, o Homem não é nada, e só será alguma coisa – e será esta coisa! – a partir do momento em que fizer algo de si mesmo. “O ...
Neste pequeno texto, pretendo escrever um pouco sobre o Jazz, com base nos dois autores que utilizei em meu seminário (Jazz e Samba): um é François Billard, No mundo do Jazz – Das origens à década de 50 , o outro é Roberto Muggiati, O que é Jazz (Coleção Primeiros Passos da Editora Brasiliense). Os dois autores tratam da história social do Jazz, desde a sua origem, no início do século XX, até a sua decadência nas décadas de 1960, 70 e 80, com o advento do Rock e outros estilos “pop”. O estudo, nas duas obras, é feito a partir dos músicos, dos jazzmen; é claro, não podemos estudar o Jazz sem os músicos que o desenvolveram, o tornaram o que é. Jazz é música e música é uma arte, uma criação humana, logo, não pode ser estudada, analisada fora de seu contexto histórico, ela é, como todas as ações humanas, fruto de seu tempo; mesmo sendo, enquanto arte, algo atemporal, ou seja, que não está fechado ao seu “próprio tempo” (tempo de origem?), mas atravessa, está presente em todo o...
Neste texto, pretendo escrever um pouco sobre as relações entre memória e patrimônio. Para começar, devemos entender o que é a memória para depois analisar como esta pode (e muitas vezes o é) ser utilizada para consagrar ou ocultar um determinado personagem ou fato histórico, na forma do patrimônio, entendido, neste caso, como tudo o que foi produzido pelo Homem: edificações, artes e etc. A memória, como sabemos, é uma abstração, ou seja, não existe em si mesma; é uma capacidade própria dos Seres Humanos. Um indivíduo, a partir de seus pressupostos, poderá esquecer ou guardar em sua mente (consciente ou inconscientemente) um fato ocorrido em sua vida, seja este vivido, ouvido ou contado. A memória, então, é seletiva, vem do próprio sujeito que a possui, ou não a possui. Agora, podemos estabelecer uma relação, dentre as várias existentes, entr...