O Homem possui uma existência que precede sua essência: Nós não nascemos Homens, nos tornamos Homens, a partir de nossas ações, ao longo de nossas vidas. “Não existe uma natureza humana dada e imutável, não há determinismos, o homem é livre, o homem é liberdade.” “O Homem está condenado a ser livre: condenado, porque não se criou a si próprio; e (...) livre porque, uma vez lançado ao mundo, é responsável por tudo quanto fizer.” O Homem é o que ele faz, o que ele fez de si mesmo e nada mais: “...o gênio de Racine é a série das suas tragédias, e fora disso não há nada; por que atribuir a Racine a possibilidade de escrever uma nova tragédia, já que precisamente ele a não escreveu?” “...O Homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo, e só depois se define.” De início, o Homem não é nada, e só será alguma coisa – e será esta coisa! – a partir do momento em que fizer algo de si mesmo. “O ...
Nesta parte do trabalho, pretendo analisar o MASP, desde a escolha do lugar, bem como a sua fundação e a aquisição das obras. E, por fim, analisarei um pouco de sua trajetória até os dias de hoje. A idéia de construir um museu de arte foi do grande empreendedor Assis Chateaubriand (Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo). Este foi o criador e diretor da maior cadeia de imprensa do país, os Diários Associados , que consistiam em 34 jornais, 36 emissoras de rádio, 18 estações de televisão, uma agência de notícias, uma revista semanal ( O Cruzeiro ), uma mensal (A Cigarra), várias revistas infantis e uma editora . Chateaubriand estava com uma idéia de construir um museu de arte e, em uma ocasião, teve a felicidade de se encontrar com o arquiteto italiano Pietro Maria Bardi (que era casado com a arquiteta Lina Bo Bardi). Este e sua esposa, Lina Bo Bardi, estavam, neste ano de 1946, no Rio de Janeiro, apresentand...
Para entendermos a montagem e a bricolagem na arte, faremos uma comparação entre as duas atividades com base na obra de dois artistas: Dziga Vertov (1896-1954), um cineasta e Robert Rauschenberg (1925-2008), um artista plástico. A produção destes dois artistas nada tem a ver entre si, mas serve ao nosso objetivo de compreender a montagem e a bricolagem. Dziga Vertov foi um dos principais diretores do cinema russo. Aqui, sua obra, Um homem com uma câmera (1929), será utilizada como o exemplo máximo da arte como montagem, não só porque o cinema é a própria montagem (montagem das cenas, dos cenários, do som, da fala, sincronia do som e da imagem e etc.), mas também, porque seu filme discute a própria linguagem cinematográfica. Não sei se podemos chamar Um homem com uma câmera de experimental, como o é O sangue de um poeta (1931) do francês Jean Cocteau, pois o ...